Sou filha do vento

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Alguém

Passando pela avenida escura, alguém vi. Pela penumbra dos meus olhos, cruzou a lua, atravessou o horizonte. Perdi o movimento, foi-se o sentimento, esqueci. Foi-se o quê imaginei, o quê tive e não possuí, o que sonhei e me iludi. Mas alguém eu vi, rondando o arquipélago, traçando o continente, relâmpago de repente: perdi o movimento, foi-se o sentimento, esqueci. A confusão em minha mente, contundente e serena,  grande e pequena, eu nunca destruirei. Contudo, o quê meus olhos veem não me engana. Apenas perdi o movimento, esqueci; tudo era apenas um momento, parti.

Fraqueza

Se um samba a ti fosse por mim feito, que cheiro se ouviria? Se as rosas exalassem tua presença, de que cor a vida se perfumaria? Tu és o encanto do desconhecido, o par do mistério. Enquanto quase nada de ti sei, mais de ti tudo quero. Quero descobrir tuas fraquezas, não teus dons; quero tirar-te do altar e colocar-te ao meu lado. Quero a tua vergonha em meu peito, teu pranto em minha dor. E se não for assim, não te quero, pois não seria real, não seria sincero. Desculpe-me a turbidez dessas palavras, ou desta carta destinada a ti, mas se não fosse assim, não seria a minha fraqueza exposta, não seria mim, seria apenas fim.